Como devem ser as orelhas do FILA BRASILEIRO  
     
 

Procurando sempre artigos que visem acrescentar informações sobre o Fila Brasileiro, extraímos do boletim O FILA (do CAFIB) o texto abaixo:

Como devem ser as orelhas do FILA (E saiba porque) !!!

Por Paulo Santos Cruz

Texto extraido do artigo”Como devem ser as orelhas do Fila” no boletim O FILA n. 27 de fevereiro de 1981.

O Fila é rastreador: quando no encalço de algum animal, orienta-se pelo odor deixado nas pegadas do perseguido. A técnica é simples: sua respiração e seu bafo, em contato com as pegadas da caça, toma-lhe o cheiro; em seguida ele aspira, de volta, sua própria respiração: então suas células e nervos olfativos contactam e absorvem o odor da caça; esse processo repete-se à medida que o Fila vai andando e respirando; mas, para fungar contra o chão o Fila abaixa a cabeça, ficando suas orelhas pendentes de cada lado do crânio e do focinho, aumentando a superfície da cabeça; o mesmo fazem os lábios, que abrem, ocupando o espaço entre o focinho e a extremidade das orelhas. Cabeça, beiços e orelhas formam uma espécie de biombo, de anteparo que vai empurrando, à sua frente, aquele ar já aromatizado pelo cheiro da caça, permitindo ao Fila seguir-lhe o rastro, repetindo todas as voltas e zigue-zagues que ela fizer para dificultar sua perseguição.

Empurrado pelo conjunto cabeça-orelhas-beiços, o ar é utilizado e, depois escapa de cada lado das orelhas, forçado pelo próprio deslocamento do cão.

As orelhas pequenas, embora também pendam de cada lado, ficam longe do chão, mal chegando à metade do focinho, incumbindo a este, sozinho, a tarefa de empurrar o bafo aromatizado. Dada a forma arredondada do focinho, a fuga lateral do ar é facilitada. Esse escape do ar seria dificultado se as orelhas ali estivessem, até próximas do solo.

Esta é a razão de criticarmos as orelhas pequenas, tanto como as de inserção alta, as finas e as estreitas.

Sendo as orelhas de inserção abaixo da linha dos olhos, ou pelo menos até o nível deles, quando o cão abaixa a cabeça para cheirar elas descem de cada lado, em perfeita paralela com o focinho e, vistas de perfil, pendem no mesmo nível do focinho, formando superfície suficientemente larga para empurrar o ar, durante o tempo necessário ao cão para inspirá-lo e sentir o odor da caça, mas sem impedir que acabe escapando lateralmente.

Pesquisa-se a inserção estando o cão em relaxamento, pois quando atento ou excitado enruga a pele do crânio, puxando as orelhas para cima.

As orelhas de inserção alta, quando o cão abaixa a cabeça, pendem à frente do focinho, além deste; formando então um anteparo côncavo, o centro (focinho) mais recuado, mais fundo; e as beiras (orelhas) mais salientes, mais avançadas. O bafo odorificado tem dificuldade de escapar pelos lados, detido no recuo formado pelo focinho, então permanece muito tempo rodando à frente do nariz e sendo cheirado. Resultado: um cão mais impetuoso, locomovendo-se muito rapidamente, fica cheirando o mesmo ar, certo de estar seguindo o rastro da caça, quando em verdade está aspirando o ar aromatizado pelas pegadas de alguns metros atrás: e, se nesse mesmo espaço de chão a caça guinou lateralmente, ele perderá a pista.

As orelhas devem ser grossas, carnudas, pesadas, para não serem empurradas para trás por vento mais forte, nem pelos capins e gramíneas baixas. Quando isto ocorre, o ar escapa, antes de ser aspirado. A ajuda delas reduz-se, igualando-se à das orelhas curtas.

O mesmo se dirá das orelhas finas ou estreitas.

Em suma, a orelha correta deve ser grossa, carnuda, ampla, comprida e de inserção baixa, colocada atrás das parótidas, praticamente embaixo do occipital. Quaisquer outras devem merecer censuras, pois negam ajuda à importante atividade do faro e do rastreamento.

Ainda uma indagação permanente: sendo costume medir o comprimento das orelhas observando se atingem o nariz, nos cães de focinho curto uma orelha pequena poderá ser considerada de bom tamanho só por chegar até o nariz?

Se ela alcança o nariz não é curta nem pequena. Está em harmonia com o cão, fornecendo-lhe toda a ajuda possível ao faro e aos trabalhos de pista. Em tal caso a crítica visará o focinho por ser curto. O comprimento do nervo olfativo, no cão, coincide com o focinho.

Quanto mais curto for o focinho, menos faro terá o cão. Também essa é uma das razões de o padrão Fila exigir um focinho virtualmente igual, em comprimento, ao do crânio.

Cada detalhe do corpo do cão deve ter forma, tamanho e posição exigidos pelo padrão e, sempre, mas realmente sempre, a exigência se fundamenta em razões práticas. Assim deveria ser em qualquer raça, pois em cinofilia não impera a estesia, o belo pela beleza. Belo, em cinofilia, é sinônimo de útil.

Abaixo fotos do Paiol do Passo do Trem.

 


Comparação com as orelhas de um FILA antigo, de fazenda.

Paiol do Passo do Trem - Comparação